Quanto valor a certificação LPI-3 agrega em um profissional?

Entrevista feita com Peter Senna Tschudin, CONSTRUTOR 4Linux e um dos participantes do processo de elaboração da prova de certificação LPI 304.

A equipe 4Linux entrevistou Peter Senna Tschudin, entusiasta de Software Livre desde 1998, que atuou em projetos de desenvolvimento de distribuições GNU/Linux, como o Linux Educacional 2.0 e 2.1 para o MEC, e em projetos de Linux embarcado para thin clients.  Peter gosta de trabalhar com Bash e com C. Trabalhou com a instalação de Linux em Mainframes IBM e está se especializando em virtualização. É um home officer da 4Linux, atendendo a Caixa Econômica Federal em Brasília. Peter foi ainda um dos participantes do processo de elaboração da prova de certificação LPI 304.

1 – Peter, porque você escolheu trabalhar com software livre?

Em 1996 meu pai decidiu mudar de carreira e abrir um provedor Internet em Brasília. Ele comprou dois 486 DX4 100 Mhz e instalou Linux neles. Foi a partir daí que tive contato com Linux. Eu me interessei e comecei a brincar em casa. Quando aprendi a fazer o básico, ganhei status por conseguir resolver coisas no Linux que eram mistérios para outras pessoas.

2 – Quando você começou a trabalhar com Linux?

Em 2002 na Solar Internet.

3 – Por que você gosta de trabalhar com software livre?

A máxima que eu uso para escolher onde trabalhar é: “Você é bem sucedido quando não sabe se o que está fazendo é trabalho ou diversão”. Software livre é divertido! É uma área de TI relativamente nova e que tem possibilidades de emprego quase infinitas. Ser bom em uma área de software livre é garantia de bom emprego.

4- A  4Linux ministra cursos para formação de administradores Linux e preparatório para as certificações LPI. Na sua opinião, porque fazer o preparatório para as certificações LPI na 4Linux?

A 4Linux é a empresa que:

  • Trouxe o LPI para o Brasil.
  • Aplicou pela primeira vez as primeiras provas LPI 101, LPI 102, LPI 201 e LPI 202 através do presidente da Linux International Jon ”maddog” Hall.
  • Fez trabalhos de revisão e tradução dos testes.
  • Presta suporte na logística das provas LPI.

No meio do ano de 2010 eu mesmo participei da criação da prova LPIC 304 que trata de virtualização e alta disponibilidade. Isso mostra o bom relacionamento da 4Linux com a comunidade de software livre. Este bom relacionamento é resultado do foco da empresa em software livre. A 4Linux ministra treinamentos apenas sobre tecnologias livres, como o Linux. Recomendo a quem estiver procurando cursos preparatórios para o LPI fazer a análise de foco da instituição de ensino. A instituição ministra “apenas” cursos de software livre ou sobre qualquer tecnologia, incluindo as proprietárias?  A instituição está atualizada ou só fica em cursos nível 1 e nível 2 do LPI?

5 – Como foi participar da elaboração da prova do LPI 304?  Quais as dificuldades? O que se aprende?

O processo é muito interessante e bem estruturado. Os pré-requisitos básicos são: ser convidado através de um dos parceiros mundiais do LPI, como a 4Linux, e ter uma chave GPG para que se consiga trocar informações de forma segura pela Internet. O primeiro passo para o parceiro LPI é entender quem é o MQF ou o candidato minimamente qualificado. Esta pessoa é aquela que tem o conhecimento mínimo necessário para ser aprovado em um nível específico. Existe um MQF diferente para cada nível LPI.

Para o LPIC 3 o candidato minimamente qualificado é uma pessoa com experiência de muitos anos que seja capaz de planejar, implementar e operar um ambiente Linux de porte corporativo. Em seguida fazemos as questões e salvamos o resultado em um banco de dados. Por fim o LPI compila as melhores questões e faz uma prova para o processo de calibração. Apenas as pessoas que fizeram questões participam deste processo. O resultado mais importante do processo de calibração é definir a pontuação mínima para ser aprovado. Isso é alcançado avaliando questão por questão em fácil, médio e difícil e estimando o índice de acerto de cada questão para o MQF,

A maior dificuldade é ter tempo para participar do processo. Eu precisei de duas semanas para fazer 10 questões e para participar do processo de calibração. Participar da criação da prova é ótimo para saber quais tecnologias estão sendo usadas no mundo inteiro. Aprendi bastante com as outras pessoas.

6 – O que cai numa prova LPIC 304? Quais as melhores maneiras para estudar?

Conhecimentos gerais: Rede no modo bridge e modo NAT; LVM; Filesystem em arquivos; Aplicar patches no kernel; compilar o kernel; chaves gpg;

Conceitos básicos sobre virtualização, como para que serve e como funciona; Relação com o hardware como as instruções presentes nos processadores Intel e AMD que potencializam a virtualização; Definição de terminologia como o que é um hypervisor; Diferenças e semelhanças entre virtualização e emulação. Sobre o Xen especificamente: Virtualização e Para-virtualização, nomenclatura básica ( dom0, domU, GuestOS, HostOS ); arquivos e diretórios; comandos básicos como xm e xentop; Recursos avançados como o motion; Sobre KVM: Usando módulos do kernel de acordo com o tipo de processador; Entender a relação entre o KVM e o QEMU; arquivos de configuração e diretórios; Sobre o OpenVZ: Entender o que é um container; Entender o que é virtualização baseada em container; comandos básicos; arquivos de configuração e diretórios; VirtualBox: Conceitos, Uso básico e instalação.

Conceitos básicos sobre alta disponibilidade: O que é um cluster, sistemas de arquivo distribuídos; Porque LVS não é um tipo de virtualização?; configuração do keepalived, IPVS, VRRP. Tipos de configuração LVS, resolução de problemas com LVS, escolha de algorítimos de “scheduling”; HAPRoxy; Algorítimos de balanceamento de carga. LinuxPMI, neto do OpenMosix, permite migrar processos pela rede; cluster Pacemaker incluíndo o uso do heartbeat; arquivos de configuração e diretórios; OpenAIS; Corosync; Red Hat Cluster Suite; DRDB; Integração entre tecnologias diferentes como DRDB + Heratbeat; GFS e OCFS2; Conceitos e implementação/configuração do lock dos sistemas de arquivos distribuídos.

Um direcionamento que é útil para as provas LPI é: Bote a mão na massa! Não perca tempo tentando decorar comandos. Monte laboratórios e faça testes. Existem conceitos não triviais envolvendo virtualização e alta disponibilidade que se tornam claros quando se tem a oportunidade de implementar. Por exemplo: é difícil compreender com detalhes o que é e como funciona um sistema de arquivos distribuído. Implementar um sistema desses é uma experiência de libertação quase espiritual. O mistério se torna apenas mais um conhecimento adquirido.

7 – Qual é o perfil de quem tem um bom emprego para trabalhar com software livre hoje no Brasil?

Acreditem, não é fácil encontrar profissionais qualificados no Brasil, principalmente de Linux. Os bons profissionais estão muito bem empregados. Só na 4Linux existem 6 vagas abertas que ainda não conseguimos preencher.

Buscamos profissionais que sejam auto-didatas, que consigam ler e escrever em inglês de forma razoável, que gostem de dar aulas , que gostem do que fazem  e que suportem trabalhar sob pressão.

8 – O que você recomenda para quem quer construir uma carreira em software livre para ter um bom emprego em alguns anos?

O ponto de partida é escolher um campo de atuação para ser a área de expertise. Escolha a área que seja mais divertida para você. Quanto mais divertido, melhor profissional você será. Recomendo escolher uma das cinco especialidades da LPIC 3: “Ambiente Misto”, “Segurança”, “Alta disponibilidade e Virtualização”, “Web e Internet”, e “Correio”.

Com uma especialidade na mira, trace um caminho com foco no seu objetivo mas não se feche para o mundo de outras tecnologias do software livre. Ser um profissional completo inclui ter uma visão geral boa de todas as tecnologias.

E não esqueça de fazer as provas de certificação da LPI durante seu caminho até a especialização. Além delas aumentarem as chances de conseguir um bom emprego, elas te ajudam a avaliar seu nível de maturidade como profissional do software livre.

 

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