OpenClaw, Hermes e a nova fase dos agentes de IA

OpenClaw, Hermes e a nova fase dos agentes de IA

O OpenClaw abriu uma janela importante para quem está acompanhando de perto a evolução da inteligência artificial.

Não é só mais uma ferramenta de IA, nem apenas mais um chatbot com uma interface diferente. O que ele mostra é uma nova fase: a IA começando a sair da conversa isolada e entrando de verdade no fluxo de trabalho das pessoas.

Durante muito tempo, a experiência com IA foi basicamente esta: você abre uma janela de chat, faz uma pergunta, recebe uma resposta, copia o conteúdo e leva aquilo para outro lugar.

Isso já foi uma grande evolução, mas ainda é um uso muito manual.

O OpenClaw muda um pouco essa lógica.

A proposta dele mostra que a IA pode estar conectada aos canais que a gente já usa, como WhatsApp, Telegram e outros aplicativos de mensagem. Em vez de obrigar o usuário a entrar em uma ferramenta específica, o agente vai até onde o usuário já está.

E mais do que responder, ele começa a executar.

Essa é a virada.

A IA deixa de ser apenas uma tela onde a gente conversa e começa a virar uma camada de execução, automação e produtividade.

É nessa janela que projetos como OpenClaw e Hermes começam a fazer muito sentido.

Eles mostram que a próxima fase da IA não será definida apenas por modelos mais inteligentes, mas por agentes capazes de entender contexto, usar ferramentas, aprender com o uso e realizar tarefas reais.

O que é o Hermes

O Hermes Agent, da Nous Research, segue a ideia de um agente que aprende com o uso.

A proposta é que ele consiga criar habilidades, melhorar essas habilidades com o tempo, preservar informações importantes e usar experiências anteriores para entender melhor o usuário e o contexto em que está atuando.

Isso muda bastante a lógica tradicional.

Em vez de depender sempre de um prompt novo e muito bem escrito, o agente começa a construir uma espécie de memória operacional. Ele aprende padrões, entende preferências, reaproveita soluções e começa a se comportar mais como um assistente persistente.

O Hermes Desktop leva essa ideia para uma aplicação instalada no computador, com uso de ferramentas, mensageria e um ciclo de aprendizado mais fechado.

Na prática, o Hermes aponta para uma categoria que deve crescer muito nos próximos anos: agentes pessoais que aprendem, evoluem e criam habilidades reutilizáveis.

O que é o OpenClaw

O OpenClaw segue uma linha bem prática.

A proposta dele é ser um assistente pessoal auto-hospedado, capaz de executar tarefas reais a partir dos canais que o usuário já usa, como WhatsApp, Telegram e outros aplicativos de mensagem.

Essa parte é muito importante.

O OpenClaw não tenta ser só mais um chat com IA. Ele tenta virar uma camada entre o usuário e seus sistemas.

Você conversa pelo canal que já usa, o agente entende o objetivo, aciona ferramentas e executa a tarefa.

Essa é a diferença entre um chatbot e um agente.

O chatbot responde.

O agente entende o que precisa ser feito, usa ferramentas, acompanha o contexto e entrega uma ação.

A evolução do OpenClaw

A evolução do OpenClaw mostra muito bem para onde esse mercado está indo.

No começo, muitos projetos de agentes pareciam experimentos. Era quase uma prova de conceito para mostrar que um LLM conseguia chamar ferramentas, executar comandos ou seguir uma sequência de passos.

Agora a discussão ficou mais séria.

O desafio não é mais só fazer a IA “pensar”. O desafio é fazer a IA agir com segurança, controle, permissão, logs, contexto e custo viável.

No caso do OpenClaw, a ideia de gateway, canais de mensagem, integrações e execução local mostra uma tentativa clara de transformar o agente em uma plataforma de uso real.

E isso faz muita diferença.

Porque quando a IA começa a executar tarefas, ela deixa de ser apenas uma ajuda pontual e passa a participar do fluxo de trabalho.

Hermes e OpenClaw atacam a mesma dor por caminhos diferentes

Hermes e OpenClaw não são a mesma coisa, mas resolvem uma dor parecida.

Como transformar modelos de linguagem em assistentes realmente úteis?

O Hermes parece puxar mais para o lado do agente que aprende, cria habilidades e melhora com o tempo.

O OpenClaw parece puxar mais para o lado do assistente pessoal conectado aos canais do usuário, com foco em executar tarefas no ambiente real.

Na minha visão, são abordagens complementares.

Um bom agente precisa aprender, mas também precisa agir.

Precisa ter memória, mas também precisa ter integração.

Precisa conversar bem, mas principalmente precisa resolver o problema.

Por que isso importa para empresas

Hoje, muita empresa ainda usa IA de forma muito manual.

A pessoa abre o ChatGPT, cola um texto, pede uma análise, copia o resultado e depois cola em outro sistema.

Funciona, mas ainda depende demais do usuário fazendo tudo manualmente.

A próxima fase é outra.

O agente recebe uma solicitação, consulta sistemas, busca informações, gera uma resposta, abre um chamado, atualiza um CRM, envia um e-mail, registra evidências e acompanha o andamento.

Nesse cenário, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta individual e vira uma camada operacional.

Para empresas que trabalham com educação, suporte, vendas, atendimento, recrutamento ou automação de processos, isso é enorme.

Não estamos falando apenas de “usar IA”.

Estamos falando de redesenhar processos inteiros com agentes trabalhando junto com pessoas.

O grande desafio é controle

Quanto mais autonomia damos para um agente, mais precisamos de controle.

Um chatbot que só responde texto tem um risco limitado.

Agora, um agente que envia e-mails, mexe em calendário, acessa arquivos, chama APIs, consulta clientes ou executa comandos precisa de uma arquitetura muito mais séria.

Alguns pontos viram obrigatórios:

Permissões bem definidas.

Logs de tudo que foi executado.

Confirmação humana para ações sensíveis.

Controle de credenciais.

Limite de custo.

Ambiente de teste separado de produção.

Observabilidade.

Rastreabilidade.

Políticas de segurança.

Esse talvez seja o principal ponto de maturidade para projetos como Hermes e OpenClaw.

Não basta o agente ser poderoso.

Ele precisa ser confiável.

O papel dos modelos open source

Outro ponto que eu acho muito relevante é o avanço dos modelos open source.

Nem tudo precisa rodar em um modelo pago de ponta.

Tarefas simples como classificação, resumo, extração de dados, roteamento, análise inicial e validações podem rodar em modelos menores, locais ou mais baratos.

Os modelos mais fortes ficam para tarefas realmente complexas.

Esse modelo híbrido deve ganhar muito espaço.

Você usa modelos locais ou open source quando precisa de custo menor, privacidade ou escala.

E usa modelos premium quando precisa de mais qualidade, raciocínio ou geração mais sofisticada.

Para empresas, esse equilíbrio é fundamental.

A conta precisa fechar.

Para onde isso vai

A tendência é clara.

Vamos ver cada vez mais agentes conectados a canais de mensagem, ferramentas internas, CRMs, ERPs, plataformas educacionais, ambientes de desenvolvimento, calendários, e-mails e bases de conhecimento.

Também vamos ver mais agentes especializados.

Um agente para atendimento.

Um agente para vendas.

Um agente para suporte.

Um agente para conteúdo.

Um agente para desenvolvimento.

Um agente para gestão.

E provavelmente um agente principal coordenando todos eles.

Esse modelo de orquestração é onde a coisa começa a ficar realmente interessante.

A IA deixa de ser uma ferramenta isolada e passa a funcionar como uma camada de coordenação entre pessoas, sistemas e processos.

Conclusão

O OpenClaw abriu uma janela importante porque mostrou, na prática, que o futuro da IA não está apenas em responder melhor, mas em executar melhor.

Hermes e OpenClaw mostram bem essa transição.

Estamos saindo da fase em que a IA era usada basicamente para responder perguntas e entrando em uma fase em que ela começa a executar tarefas de verdade.

O Hermes traz uma visão forte de agente que aprende, cria habilidades e melhora com o uso.

O OpenClaw traz uma visão muito prática de assistente pessoal auto-hospedado, conectado aos canais que o usuário já usa e capaz de executar ações reais.

Na minha opinião, esse é um dos movimentos mais importantes da IA agora.

O diferencial não será apenas ter o melhor modelo.

O diferencial será ter o melhor agente.

Aquele que entende o contexto, usa as ferramentas certas, respeita os limites, registra o que fez e entrega resultado com segurança.

No fim, a pergunta muda.

Antes era:

“Qual IA responde melhor?”

Agora começa a ser:

“Qual IA consegue fazer o trabalho melhor?”

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