Por que será que alunos de universidades estão vaiando as IAs?

Por que será que alunos de universidades estão vaiando as IAs?

Na temporada de formaturas de 2026, bastava o palestrante dizer “inteligência artificial” para a plateia vaiar. Não foi acaso, e diz algo que também vale para a sua empresa.

Aconteceu em sequência, em campi diferentes dos EUA, sempre pelo mesmo gatilho: alguém no palco elogiou a IA, e os formandos vaiaram.

  • Eric Schmidt, ex-CEO do Google, na Universidade do Arizona (15/mai). Foi vaiado repetidamente ao argumentar que a turma de 2026 ainda teria o poder de ajudar a moldar a IA.
  • Gloria Caulfield, executiva da Tavistock, na Universidade Central da Flórida (8/mai). Chamou a IA de “a próxima revolução industrial” diante de formandos de artes e humanidades, e as vaias começaram quase no ato.
  • Scott Borchetta, CEO da Big Machine Records, na Middle Tennessee State (9/mai). Disse que “a IA está reescrevendo a produção” e, sob vaias, retrucou: “lidem com isso, é uma ferramenta”.
  • Glendale Community College: a presidente da instituição foi vaiada ao revelar que uma IA leria os nomes dos formandos; o sistema pulou ou pronunciou incorretamente nomes, e alunos precisaram refazer a passagem pelo palco com um locutor humano.

O que está por trás da revolta

Esta é a primeira turma que viveu a graduação inteira sob a IA generativa: o ChatGPT foi lançado quando eles eram calouros, em novembro de 2022. Eles não são tecnófobos. Cerca de quatro em cada dez dizem que suas faculdades incentivam o uso de IA, ainda que com limites, e 57% usam IA diariamente ou semanalmente nos trabalhos acadêmicos. Um dos fatores que mais pesa é o mercado: Segundo o Washington Post, o desemprego entre recém-formados de 22 a 27 anos chegou a 5,6% no fim de 2025, contra 4,2% do total de trabalhadores e indicadores de disputa por vagas de entrada pioraram, com aumento de cerca de 22% nos cliques por vaga, segundo o ZipRecruiter 2026 Grad Report.

Uma fundadora da ONG de política de IA resumiu o clima como uma “ansiedade ambiente de que a IA vai piorar tudo”. Uma formanda foi mais direta: o problema não é aceitar que a IA existe, e sim admitir que ela já está tirando oportunidades de quem está começando.

O que está sendo vaiado não é a IA. É a falta de controle: uma figura poderosa de fora dizendo que o futuro já foi decidido e que o papel de quem ouve é apenas “se adaptar”.

Por que isso interessa a quem decide TI

A mesma sensação que faz um formando vaiar é a que faz um CFO, um CIO ou um CISO desconfiar: IA imposta de cima, em caixa-preta, sem controle sobre custo, sobre os dados que saem e sobre a dependência de quem fornece. A resposta, nos dois casos, não é recusar a tecnologia, e sim comandar o stack em vez de ser comandado por ele.

A 4Linux nasceu no Open Source e sempre teve o Open Source como base da sua atuação. É essa a diferença entre sofrer a IA e operar a IA com soberania: modelos abertos, sob seu controle, com rastreabilidade, governança e autonomia tecnológica. Fale com a gente: contato@4linux.com.br.

Fontes

NPR / WESA, “Advice for 2026 commencement speakers: Don’t bring up AI” / “Why AI is leading to boos at 2026 college graduations” (20/mai/2026)

https://www.wesa.fm/national-international-news/2026-05-20/advice-for-2026-commencement-speakers-dont-bring-up-ai

CNBC Make It, Sarah Jackson, “Why new grads are booing commencement speakers: There’s an ‘ambient anxiety that AI is going to make things dramatically worse’” (21/mai/2026)

https://www.cnbc.com/2026/05/21/new-graduates-booing-commencement-speakers-ai.html

AP News, “AI pep talks at college commencements prompt boos from graduates” (mai/2026)

https://apnews.com/article/ai-college-commencement-anxiety-boo-35aec9bac660eaeb05c5b8d392db2cac

The Guardian, “US students on why they booed their pro-AI graduation speakers: ‘They’re not reading the room’” (26/mai/2026)

https://www.theguardian.com/technology/2026/may/26/students-boo-pro-ai-graduation-speakers

GovTech, “AI Name Reader Skips Hundreds at Graduation Ceremony” (mai/2026)

https://www.govtech.com/education/higher-ed/ai-name-reader-skips-hundreds-at-graduation-ceremony

The Verge, “An AI announcer mispronounced and skipped names during a graduation” (mai/2026)

https://www.theverge.com/tech/933653/ai-graduation-commencement-glendale-community-college

Gallup, “AI Is Routine for College Students, Despite Campus Limits” (2/abr/2026)

https://news.gallup.com/poll/704090/routine-college-students-despite-campus-limits.aspx

Lumina Foundation / Gallup, “AI in Higher Education: Widespread Use, Unclear Rules” (2026)

Washington Post, “Why the U.S. job market is so hard, especially for recent college graduates” (13/mai/2026)

https://www.washingtonpost.com/business/2026/05/13/why-us-job-market-is-so-hard-recent-college-graduates

Federal Reserve Bank of New York, “The Labor Market for Recent College Graduates”

https://www.newyorkfed.org/research/college-labor-market

ZipRecruiter, “Annual Grad Report” / “ZipRecruiter Finds Grad Job Market Improving Despite Fears That AI Is Eliminating Jobs” (2026)

https://www.ziprecruiter-research.org/annual-grad-report

https://ziprecruiter-investors.com/news/news-details/2026/ZipRecruiter-Finds-Grad-Job-Market-Improving-Despite-Fears-That-AI-Is-Eliminating-Jobs/default.aspx

Fortune, “With entry-level jobs vanishing, Gen Z grads are ditching corporate America” (24/abr/2026)

https://fortune.com/2026/04/24/gen-z-entrepreneurship-gig-work-freelance-entry-level-jobs-corporate-america

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Marcelo Marques
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Marcelo Marques é cofundador da Rankdone, Jedai e 4Linux, e atualmente atua como CEO da Rankdone. Concluiu o curso "Artificial Intelligence: Implications for Business Strategy" pela MIT Sloan School of Management, consolidando sua expertise em estratégias empresariais aplicadas à inteligência artificial. Empreendedor com experiência em tecnologia e inovação, atuou na criação da Startup Jedai, voltada para soluções avançadas de IA e educação. Atua também como AI Strategic Business Advisor na Intellinode.ai, em Delaware, EUA. Administrador pela FASP, especializado em Marketing pela Trevisan Escola de Negócios e pós-graduado em Gestão Empresarial pela FGV.

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