IA para maiores – Visões de pesquisadores e CEOs brasileiros sobre 2026 para IA

IA para maiores – Visões de pesquisadores e CEOs brasileiros sobre 2026 para IA

1) Rodrigo Nogueira (Maritaca AI)

Rodrigo Nogueira é cofundador da Maritaca AI e professor da Unicamp. Ele é um dos principais expoentes no desenvolvimento de Modelos de Linguagem (LLMs) focados na língua portuguesa. Ganhou destaque global com o MariTalk, provando que modelos regionais e especializados podem superar gigantes globais em contextos específicos e culturais.

Previsões e Foco Estratégico (2026):

  • Soberania Digital e IA Regional: Defesa de que o Brasil precisa de modelos próprios para garantir privacidade, redução de custos e, principalmente, alinhamento cultural e linguístico que modelos americanos não captam perfeitamente.
  • Eficiência e Especialização: Em 2026, a tendência não é apenas o tamanho do modelo (parâmetros), mas a eficiência. Ele foca em como tornar a IA mais barata e rápida para empresas brasileiras, priorizando o “raciocínio” sobre a memorização bruta.
  • IA “Pé no Chão”: Menos foco em ficção científica e mais em resolver problemas reais de processamento de documentos, atendimento e automação jurídica/administrativa no Brasil.

Links para consulta (Canais Oficiais e Repercussão):

2) André Ponce de Leon Ferreira de Carvalho

André Ponce de Leon é Diretor do ICMC-USP (São Carlos) e uma figura central no C4AI (Center for Artificial Intelligence – USP/IBM/FAPESP). Ele é reconhecido internacionalmente por suas contribuições em aprendizado de máquina e ciência de dados, além de ser um dos principais articuladores da Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA).

Previsões e Ênfases (2026):

  • IA Ética e Explicável: Defende que, para 2026, a “caixa-preta” da IA não será mais aceitável em setores críticos como saúde e justiça. O foco está em modelos que consigam explicar o porquê de suas decisões.
  • Educação e Alfabetização em IA: Uma de suas grandes bandeiras é que a IA não deve ser apenas para especialistas; ele prevê uma pressão enorme para a reformulação de currículos escolares e universitários para lidar com a nova realidade tecnológica.
  • Dados de Qualidade vs. Quantidade: Ressalta que o diferencial estratégico do Brasil não está apenas em ter modelos grandes, mas em ter dados de qualidade, curados e que reflitam a diversidade da nossa população.

Links para consulta:

3) Francisco Rodrigues (USP)

Francisco Rodrigues é professor titular da USP e coordenador do grupo de Sistemas Complexos no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC). Autoridade mundial em ciência de dados complexos, ele foi professor na University of Warwick (Reino Unido) e está na lista dos 2% dos cientistas mais citados do mundo. Sua pesquisa se concentra no estudo de redes complexas e inteligência artificial. Publicou trabalhos sobre diagnóstico automático de transtornos mentais e do desenvolvimento, previsão de casos de doenças infecciosas, análise de dados econômicos por meio de agentes e estudo do clima global com uso de inferência causal. Em 2025, recebeu o renomado prêmio Friedrich Wilhelm Bessel Research, da Fundação Alexander von Humboldt (Alemanha), destinado a acadêmicos de renome internacional do exterior em reconhecimento a realizações excepcionais na área de pesquisa. Atua na divulgação científica por meio de videoaulas no YouTube. Seu canal conta com mais de 16 mil inscritos.

Previsões e Foco Estratégico (2026):

  • IA na saúde: Devemos aprimorar cada vez mais os métodos automáticos de diagnóstico de doenças e descobrir suas causas, usando ferramentas cada vez mais modernas de IA.
  • IA na Pesquisa e Ensino: Em 2026, será cada vez mais necessário treinar estudantes e profissionais para usar a IA de maneira correta e ética. As ferramentas de automação usando IA devem proporcionar uma série de descobertas e inovações sem precedentes na história humana. Ao mesmo tempo, teremos que criar mecanismos para combate à desinformação.
  • Rumo ao entendimento: será cada vez mais necessário desenvolver ferramentas teóricas para compreender os modelos de IA em profundidade. Técnicas de inferência causal e física estatística deverão revelar o funcionamento interno da IA.

Links (copiar e abrir):

  • Perfil Institucional USP: Informações sobre sua produção científica e contribuições para o ensino e divulgação científica.
  • Google Scholar (Francisco Rodrigues): Referência técnica para quem quer ver seus trabalhos sobre diagnóstico automático de doenças mentais, previsões de casos de dengue e economia.
  • Linkedin: Suas publicações no Linkedin.
  • Canal no Telegram: Canal com mais de 4,5 K inscritos onde são divulgados livros, cursos, tutoriais, novidades e códigos gratuitos relacionados à IA e à Ciência de Dados.

4) Ronaldo Cristiano Prati (UFABC)

Ronaldo Cristiano Prati é professor de Ciência da Computação e Ciência de Dados da UFABC. Atualmente, é coordenador do Bacharelado em Ciência de Dados e vice-coordenador do núcleo estratégico de pesquisa DATAS. Está na lista dos 2% dos cientistas mais citados no mundo. Realiza Pesquisa em em aprendizado de máquina com aplicações em Ciências e Engenharia, incluindo transição energética e agricultura inteligente. 

Previsões (2026):

  • Vamos ver um aumento do uso de IA na pesquisa científica, incluindo agentes que analisam o corpo de conhecimento atual e propõe novas ideias de pesquisa de maneira semi-autônoma. 
  • Também teremos avanços em IA “personalisável”, capaz de entender melhor a necessidades dos usuários e gerar conteúdo customizado para os usuários. 

Links:

5) Leonardo Afonso Amorim

Especialista em Big Data no Governo de Goiás, pesquisador em Inteligência Artificial pelo Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) e doutor em Ciência da Computação. Realizou estágio de pós-doutorado na Universidade Federal de Goiás (UFG), com atuação em pesquisa aplicada nas áreas de Inteligência Artificial, MLOps, Big Data. Atua como professor de graduação e pós-graduação na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e na UFG, com experiência na formação de profissionais e no desenvolvimento de soluções baseadas em dados e IA para ambientes corporativos e governamentais.

Previsões (2026):

  • IA e Big Data como Infraestrutura Cognitiva Organizacional: A IA e o Big Data tendem a se consolidar como uma camada cognitiva permanente das organizações, deixando de ser apenas ferramentas analíticas para atuar como infraestrutura de decisão. Nesse cenário, sistemas baseados em LLMs, arquiteturas RAG e agentes inteligentes passam a mediar o acesso ao conhecimento corporativo, integrando dados, metadados, governança e contexto regulatório. O papel humano se desloca da execução técnica para a curadoria, validação e definição de limites, especialmente em ambientes críticos como o setor público, onde confiabilidade, rastreabilidade e responsabilidade institucional são centrais.
  • Inteligência Ampliada e Cognição Homem–Máquina: A expansão da inteligência homem–máquina em 2026 se expressa na ampliação das capacidades humanas por meio de sistemas que simulam cenários, correlacionam grandes volumes de informação e oferecem hipóteses acionáveis em tempo real. O humano permanece no centro, não como operador, mas como regulador e estrategista, exercendo julgamento, ética e responsabilidade sobre decisões assistidas por IA. Esse modelo híbrido consolida uma nova forma de inteligência ampliada, na qual pensar, decidir e governar passam a ser atos compartilhados entre pessoas e sistemas computacionais.
  • Engenharia de IA como Pilar de Sistemas Inteligentes em Produção: O profissional de Engenharia de IA torna-se cada vez mais valioso por viabilizar o uso seguro, escalável e confiável da IA em produção. Com a IA como infraestrutura crítica, integra modelos, dados e pipelines com governança, garantindo desempenho, explicabilidade e conformidade, transformando modelos em sistemas reais e responsáveis.

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Marcelo Marques
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Marcelo Marques é cofundador da Rankdone, Jedai e 4Linux, e atualmente atua como CEO da Rankdone. Concluiu o curso "Artificial Intelligence: Implications for Business Strategy" pela MIT Sloan School of Management, consolidando sua expertise em estratégias empresariais aplicadas à inteligência artificial. Empreendedor com experiência em tecnologia e inovação, atuou na criação da Startup Jedai, voltada para soluções avançadas de IA e educação. Atua também como AI Strategic Business Advisor na Intellinode.ai, em Delaware, EUA. Administrador pela FASP, especializado em Marketing pela Trevisan Escola de Negócios e pós-graduado em Gestão Empresarial pela FGV.

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