pgBackRest foi arquivado: o que isso muda na prática?

pgBackRest foi arquivado: o que isso muda na prática?

No dia 27 de abril de 2026, o repositório oficial do pgBackRest foi marcado como arquivado no GitHub, encerrando seu ciclo de desenvolvimento ativo.

O código continua disponível, utilizável e funcional, mas não deve mais evoluir.

Anúncio original:
https://github.com/pgbackrest/pgbackrest

Análise da Percona:
https://percona.community/blog/2026/04/28/pgbackrest-is-archived-what-now


O que significa, na prática, um projeto arquivado?

Arquivar um projeto não significa que ele parou de funcionar. No caso do pgBackRest, quem já utiliza a ferramenta pode continuar operando normalmente. Os backups seguem sendo executados e os restores continuam válidos.

A mudança real está no futuro.

Sem manutenção ativa, o projeto deixa de receber correções, melhorias e adaptações para novas versões do PostgreSQL. Com o tempo, isso transforma a ferramenta em algo estático dentro de um ambiente que continua evoluindo.

No curto prazo, isso não gera impacto. No longo prazo, passa a ser um risco técnico.


Quem já usa pgBackRest precisa se preocupar?

Não existe necessidade de ação imediata.

Ambientes em produção continuam estáveis e não há nenhum indicativo de quebra repentina. Inclusive, o pgBackRest ainda está disponível nos repositórios oficiais do PostgreSQL, o que mantém sua adoção viável no dia a dia.

O ponto principal aqui não é estabilidade atual, e sim sustentabilidade ao longo do tempo.


O que diz a Percona sobre isso?

A Percona é uma empresa bastante conhecida no ecossistema de bancos de dados open source, com forte atuação em MySQL, PostgreSQL e MongoDB. Além de serviços e suporte, ela também desenvolve ferramentas amplamente utilizadas em ambientes críticos.

Um exemplo é o Percona XtraBackup, uma solução open source de backup para MySQL com nível enterprise e amplamente adotada em produção.

Sobre o arquivamento do pgBackRest, o posicionamento foi pragmático. Não há motivo para pânico, mas também não é algo que deva ser ignorado. A recomendação é continuar utilizando normalmente enquanto se começa a avaliar alternativas.

Além disso, a própria Percona informou que pretende manter suporte ao pgBackRest dentro do seu ecossistema. Isso significa que ainda existe respaldo para uso em produção, especialmente para quem já utiliza soluções da empresa.

Esse ponto ajuda a reduzir o risco no curto e médio prazo, mas não elimina a necessidade de planejamento, já que o projeto original continua sem desenvolvimento ativo.


Um novo movimento da comunidade: pgxbackup

Poucos dias após o arquivamento, surgiu uma iniciativa importante liderada pela PGExperts, também conhecida como PGX.

A empresa anunciou o pgxbackup, uma continuação direta do pgBackRest com o objetivo de manter a ferramenta ativa e evoluindo.

https://thebuild.com/blog/2026/05/01/pgxbackup-continuity-support-for-pgbackrest/

A proposta é clara: garantir continuidade sem quebrar quem já utiliza a ferramenta hoje.

Segundo o anúncio, o pgxbackup pretende:

  • Corrigir bugs críticos e vulnerabilidades

  • Manter compatibilidade com novas versões do PostgreSQL

  • Preservar o formato de configuração e os repositórios existentes

Na prática, não se trata de uma nova ferramenta, mas de uma continuidade do que já existe, reduzindo o impacto de uma possível transição.

Um ponto importante é que o nome foi alterado por respeito ao autor original, que não queria forks utilizando o nome pgBackRest.

Esse movimento mostra que o ecossistema reagiu rapidamente ao arquivamento, reduzindo parte da incerteza inicial.


Onde está o risco real?

O impacto do arquivamento é gradual.

Conforme novas versões do PostgreSQL forem lançadas, podem surgir incompatibilidades. Além disso, eventuais bugs ou falhas de segurança não terão garantia de correção no projeto original.

Outro ponto importante é o ecossistema. Ferramentas, integrações com cloud e estratégias modernas de backup continuam evoluindo, enquanto o pgBackRest, por si só, permanece parado.

Por outro lado, iniciativas como o pgxbackup ajudam a mitigar esse cenário.


Quais caminhos existem a partir daqui?

O cenário agora é mais flexível.

Ferramentas como o Barman e o WAL-G continuam sendo alternativas consolidadas e ativamente mantidas.

Ao mesmo tempo, o pgxbackup surge como um caminho mais natural para quem quer manter a mesma abordagem operacional do pgBackRest, com menor impacto de migração.

Também existem opções mais simples, como pg_basebackup com archiving de WAL, e soluções gerenciadas em cloud que reduzem a carga operacional.

A escolha depende do contexto do ambiente, da criticidade dos dados e do nível de maturidade do time.


Vale a pena continuar com pgBackRest?

Sim, desde que com consciência do cenário.

No curto prazo, continuar utilizando o pgBackRest é totalmente seguro. A ferramenta segue estável e confiável.

No médio prazo, entre um e dois anos, faz sentido começar um planejamento de transição, caso o projeto não venha a ser retomado oficialmente ou consolidado através de forks relevantes como o pgxbackup.

Esse cenário ainda está em evolução e precisa ser acompanhado de perto.

No longo prazo, manter o pgBackRest como solução principal tende a se tornar mais arriscado, não por falhas atuais, mas pela ausência de evolução própria.


Conclusão

O arquivamento do pgBackRest não representa uma quebra imediata, mas muda o papel da ferramenta dentro do ambiente. Ela deixa de ser uma solução ativa e passa a depender de suporte externo ou iniciativas da comunidade para continuar evoluindo.

A boa notícia é que o ecossistema reagiu rápido. Empresas como a Percona continuam oferecendo suporte, e a PGExperts já iniciou um caminho de continuidade com o pgxbackup.

A melhor abordagem continua sendo planejamento.

Seguir utilizando normalmente, enquanto se avaliam alternativas com calma, permite testar cenários, validar restores e tomar decisões com segurança.

No fim, o problema não é o projeto ser arquivado. É ignorar isso até virar urgência.

Anterior Adeus gitRepo, IPVS, Ingress-NGINX: as novidades que o Kubernetes 1.36 traz

About author

Matheus Cruz
Matheus Cruz 6 posts

Consultor e instrutor DBA na 4Linux, trabalhando com as tecnologias PostgreSQL, MySQL, MongoDB, SQL Server, Redis, entre outras.

View all posts by this author →

Você pode gostar também